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IR ONDE O CORAÇÃO NOS LEVA !!!

Todos nós, enquanto seres racionais temos a capacidade de tomar decisões. Após nove meses, protegidos nos ventres de nossas mães, tomamos a firme de resolução de nascer. Gritando a plenos pulmões, anunciamos a nossa chegada, porque após o nosso nascimento, o mundo não voltará a ser o mesmo.
Passamos uma fase de nossas vidas em que permitimos – muitas vezes fingimos na nossa sabedoria de criança- que outros decidam por nós. Quando passamos a tomar pleno controlo das nossas vidas, continuamos a tomar decisões, a escolher os caminhos por onde queremos seguir.
Porque a vida é uma estrada com cruzamentos, entroncamentos, atalhos cheios de pedras, que magoam nossos pés e, de carreiros com suaves flores nas bermas, que nos conduzem a um bosque verdejante.
Enquanto vivemos, percorremos a estrada da vida, escolhendo ora a via rápida, ora o passeio turístico. Uma viagem mais dolorosa para uns e mais aprazível para outros. Depende da estrada que cada um escolhe para percorrer, uma vez que as estradas são diferentes para todos, havendo apenas cruzamentos em que, por breves instantes nos cruzamos com estradas de outros.
Quando se chega perto dos quarenta anos, paramos para olhar o caminho que fizemos e o que ainda nos falta fazer. Em ambos está patente a dúvida. Quando olhamos para trás e vemos todas as estradas que percorremos e as que deixámos de percorrer por opção, resta a dúvida do que teria sido diferente se tivéssemos optado pelo carreiro pedregoso em vez do carreiro verdejante, o que teria sido diferente na nossa vida. Ao olharmos para o caminho a percorrer, continuamos a ver uma estrada com desvios, atalhos, cruzamentos e entroncamentos que não sabemos onde nos vai levar.
Geralmente é aqui que se impõe uma maior ponderação sobre as nossas decisões. Temos consciência que não deviríamos Ter trilhado alguns dos caminhos que trilhámos, pelo que, nos caminhos que nos falta percorrer, incertos, sem forma de saber o que nos reservam, impomos uma maior ponderação nas nossas decisões. Como fazê-las?
Geralmente impomos a nós mesmos as decisões mais racionais, lógicas á nossa mente. Deixamos que a mente e a lógica comande a nossa vida, escolha as estradas que percorremos. Muitas vezes, tarde de mais, compreendemos que, dessa forma racional, vivemos a vida sem emoções profundas, vindas do mais profundo do nosso ser.
Houve alguém que um dia me disse que a felicidade era algo efémero, porque chegava em virtude de algum acontecimento ou de alguém que não nós mesmos. No entanto a alegria é a essência de nós mesmos, algo que vem lá do fundo, que nos faz apreciar e agradecer o Dom da vida. Porque enquanto temos vida, uma vida plena, interior, podemos fazer a diferença ao nosso redor.
Podemos decidir qual a estrada a tomar, o caminho a seguir, mas ninguém decide que é feliz, que sente alegria, enquanto não se conhecer a si mesmo. Tomar a decisão de se conhecer a si mesmo é a maior mas, também a mais sábia decisão que todos nós podemos tomar. A decisão que implica um maior trabalho, e um maior entendimento do que nos move interiormente. São muitos os que percorrem a estrada da vida sem tomarem essa decisão.
Li há pouco um livro. Nas sua páginas encontrei as mesmas questões que coloco diariamente, as minhas dúvidas, as minhas incertezas. Algures nas suas folhas encontrei um parágrafo que resultou para as minhas incertezas, como uma pequena luz no fundo de um túnel:
"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar".
 
"… quando poi davanti a te si apriranno tante strade e non saprai quale prendere, non imboccarne una a caso, ma siediti e aspetta. Respira con la profondità fiduciosa con cui hai respirato il giorno in cui sei venuta al mondo, senza farti distrarre da nulla, aspetta e aspetta ancora. Stai ferma, in silenzio, e ascolta il tuo cuore. Quando poi ti parla, alzati e va’ dove lui ti porta…"……um trecho do livro "Va dove ti porta il cuore" de Susanna Tamaro.

Beijos beijos a vc Luisa…..


CUIDADO SER FISGADO !!!

A raiva e o descontrole são como anzóis. Eles nos fisgam, nos aprisionam e ai… bom, a gente sabe como essa história acaba!

Dizem que o budismo é uma espécie de psicologia. Séculos antes de Freud – o Buda Sãkyamuni, viveu entre o século 6 e 5 aC – os budistas já intuíam os misteriosos caminhos e os extraordinários recursos da “ mente humana”.

Mesmo assim, sempre me surpreendo com a incrível atualidade de alguns conceitos budistas. E, sobretudo, com o tom bem-humorado que eles usam para falar dessas coisas…
O artigo da monja americana, Pema Chodron, me fez rir e me fez pensar em como tantas e tantas vezes um bom conselho vem sob formas muito simples…

A raiva, por exemplo… dificílimo de lidar com essa sensação de “inundação” que faz a gente dizer o que não quer, ferir quem não precisa e se arrepender invariavelmente depois… os budistas tem uma palavra para apontar a raiz deste tipo de experiência emocional, o verdadeiro vilão das histórias tristes por trás das brigas e dos conflitos: shenpa.

A rigor, shenpa é “apego”, mas olhando mais de perto, a monja Pema Chödrön explica, shenpa significa “ser fisgado”, sim, feito peixe, assim, num minuto, o universo respira em harmonias celestiais e você até já começa a achar que a iluminação e a paz estão bem ali, ao alcance da sua mão, e aí…bummmmmmmmmm!

Será que estou me expressando bem !?!

Alguém diz alguma coisa errada, no momento errado, aquela “folgada” passa à sua frente na fila ou ocupa a vaga que você manobrava arduamente para pegar, seu filho tão fofo resolve sapatear no meio do shopping para possuir mais uma bola de futebol e nem é Natal ainda… pronto, minha cara, se você realmente não for a reencarnação de alguma alma iluminada, no próximo minuto lá estará você, fisgada no anzol da raiva…(eu já fui) ou da compulsão ou da autoflagelação… e carregada em uma espiral maluca para um “lugar” da alma difícil de descrever, mas onde todo mundo já esteve, não é?

Para os budistas, a melhor forma de lidar com "shenpa" é aprender a reconhecer esse sentimento. Fácil? Nada disso.vixiii, eu que o diga…
Quando somos fisgados nesse anzol, precisamos urgentemente fazer alguma coisa a respeito: isso inclui desde dar um soco no nariz de alguém até comer uma torta de morango inteirinha em menos de cinco minutos.
É claro que, saber disso, vai tornando as coisas mais fáceis, você é fisgado duas vezes, mas escapa uma… essa contabilidade só tende a melhorar, à medida que aprendemos a olhar de frente para esse anzol.

Meditar, é evidente, treina nossa mente para a calma e ajuda um bocado! Observar como os outros são fisgados também pode nos iluminar a respeito de nossos próprios mecanismos.
E refletir muito sobre que tipos de situações funcionam como perigosos anzóis para você… tudo são coisas fundamentais.
Mas a monja Pema Chödrön ainda ensina a lembrar dos 4Rs: Reconhecer o anzol-shenpa, Refrear a necessidade de fazer alguma coisa, Relaxar agora, já, Resolver
parar de uma vez por todas de ser fisgada a cada vez que… (complete a frase com alguma situação-anzol para você).
acredito que as minhas já resolvi…ou não…rsrsssssss


Você já tinha ouvido isso? Ou algo parecido, talvez?
Mas aposto que a imagem do anzol vai ficar na sua cabeça – ficou na minha, acredite – e vai fazer você rir da próxima vez que sentir a raiva mergulhar no seu aquário, disfarçada de anzol… esse é o primeiro e com certeza o mais importante passo para nadar em águas mais tranqüilas…

E O QUE VOCÊ QUER FAZER?

Descobrir quem é a Monja Pema Chödrön? rsrsssssss


Pema Chödrön é uma monja budista norte-americana e uma das estudantes de Chögyam Rinpoche, famoso mestre de meditação. Ela é autora das obras The Wisdom of No Escape e Start Where You Are, e também professora em Gambo (Nova Scotia, Canadá), o primeiro monastério tibetano na América do Norte estabelecido para ocidentais.
Segundo Chödrön, a felicidade está ao nosso alcance, e, no entanto tantas vezes a perdemos de vista, ironicamente na tentativa de evitar dor e sofrimento. O texto radical e compassivo de Pema Chödrön vem de encontro às nossas expectativas e hábitos de conduta “Quando Tudo Se Desfaz” ,e nos confronta com a sabedoria budista. Existe somente uma atitude em relação ao sofrimento,diz Chödrön, e essa atitude é a que caminha na direção das situações difíceis com curiosidade, se deixando levar pela insegurança da situação. É ali, no meio do caos, que descobrimos a verdade e o amor indestrutíveis.

Beijos beijos

 



OUÇA A MUSICA…E VEJA O BELO…

"Nós
chegamos a um ponto em que não conseguimos mais separar o
valor das coisas do quanto elas custam",A Pati me cutuca
indignada e num ato de me reanimar(ou animar)num momento em que não
me interessava por nada a não ser entender o que estava
acontecendo com minha saúde(ou falta dela)"Veja só
esse artigo", ela continua, "um dos maiores violinistas do
mundo, Joshua Bell, toca seis peças clássicas no metro
de Washington, nos EUA e simplesmente ninguém se dá
conta do que está ouvindo!"
E o artigo de fato me
deixa curiosa.

Além de ser considerado um fenômeno
musical,"JOSHUA BELL" , é também jovem,
bonito, e ousado! Por isso, aceitou o desafio que o jornal Washington
Post propôs e foi se postar em plena estação de
metrô, de calça jeans e camiseta, assim como qualquer um
desses músicos de rua pelos quais a gente passa sem ver… nem
ouvir: sacola de moedas aberta na frente e violino no ombro.

Quem
iria imaginar que o violino do rapaz tão igual a qualquer um
no metro era uma obra de arte feita pelo mestre italiano,
Stradivari, em 1713, e que vale milhões de dólares?vixiii,
quem ousaria imaginar?

O objetivo do artigo do Post era
responder à pergunta: "Num lugar comum, num momento
qualquer, inconveniente talvez, será que as pessoas reconhecem
o Belo?" Dá para identificar a coisa genial, sublime, se
ela estiver perdida em meio ao "comum"?

Eram quase
oito da manhã quando o grande violinista começou a
tocar na estação, cuja acústica, aliás,
foi generosa com as harmonias que nasciam das cordas do instrumento
perfeito. Joshua Bell não tocou nada "popular", a
idéia do jornal era que as pessoas ouvissem apenas
obras-primas testadas pelo tempo, os mais belos sons criados pelos
gênios humanos, aqueles que impregnam as paredes de pedra das
mais antigas catedrais e ecoam nas grandes salas de concerto do
mundo. Ele tocou "Chaconne", de Sebastian Bach,
considerada uma das peças para violino mais difíceis
jamais escritas… e uma das mais belas! Depois tocou a "Ave
Maria" de Franz Schubert, "Estrellita" de Manuel
Ponce, uma outra de Bach…etc…bla bla bla…

E a imensa
maioria das pessoas que passaram pela estação sequer
ouviu! Passavam pelo músico como se fosse um fantasma.
Assistindo o vídeo depois, Johua Bell, rindo, disse que estava
espantado com o fato de que as pessoas passavam como se ele fosse
invisível porque, afinal, "no mínimo, ele estava
fazendo um tremendo de barulho!"

Ninguém parou.
Estavam todos com pressa para chegar ao trabalho. Passaram ser ver
pelo músico que na semana anterior tinha tocado em Boston para
uma platéia boquiaberta que havia desembolsado no mínimo
$150!!!!!!

Ninguém, não, um homem
parou,maravilhado, perplexo. Horas depois ele diria ao jornalista que
perguntava se algo estranho havia chamado sua atenção
pela manhã, na estação: “Sim, havia um
violinista que tocava". "Você nunca viu um violinista
tocar na estação antes”? "Não como
aquele", respondeu o homem… uma moça reconheceu o
violinista famoso… só!

Mais de mil pessoas passaram
por Joshua Bell naquele dia. A beleza sucumbiu ao stress, ao embalo
sem encanto da correria diária, ao cotidiano atribulado da
vida nas cidades, à anestesia da rotina.

Engraçado,
as crianças que passaram pelo violinista maravilhoso pararam.
Embora puxadas pelos adultos que as acompanhavam, elas resistiam, bem
do jeito das crianças pequenas, queriam "
ver-ouvir-experimentar ", saudar essas estranhezas todas que de
repente saltam na vida da gente e ficam por alguns poucos segundos
penduradas nos fios do mistério, apenas por alguns instantes,
mas que valeriam uma vida, se ao menos a gente conseguisse prestar
atenção…

E desde que a Pati chegou com o
artigo na mão, indignada, não paro de me perguntar:
será que eu pararia boquiaberta diante do Belo???…..

Beijos beijos

09-04-2007



EVOLUCIONISMO…

Num
primeiro momento, assim de relance, a gente poderia achar que essa
história de "criacionismo" não tem nada a ver
conosco. É coisa de americanos superconservadores, uma
maluquice… talvez um dia isso tenha sido verdade, ao menos em
parte, mas hoje, as aulas de ciência correm o risco de
assemelhar-se perigosamente a aulas de religião…
Afinal,
o que ensinar para as crianças: o mundo, tal qual o
conhecemos, foi criado por Deus em sete dias? Ou o mundo foi o
resultado daquela grande explosão, o Big Bang?

O
problema parece até simples de resolver, não é?
Aula de religião é aula de religião, aula de
ciência é aula de ciência. Ou você consegue
imaginar seu filho tendo que decorar o sistema digestivo dos
nematelminteos para a aula de religião? Mas na hora do
vice-versa a coisa complica. Com a separação entre a
igreja e o estado na maioria das sociedades abertas, religião
deixou de ser disciplina obrigatória nas escolas públicas.
E, de qualquer maneira, num mundo plural, qual religião
deveria ser adotada nas escolas?

Na dúvida, mistura-se
tudo… Como argumentava o editorial do jornal Folha de São
Paulo, discutindo as recentes declarações da Ministra
Marina Silva, do Meio Ambiente, a favor do criacionismo: “Num
estilo próximo ao dos neoconservadores americanos, (ela, a
ministra) considerou que "as duas visões" devem ser
oferecidas aos alunos, para que"‘decidam" por si mesmos.
Sob uma aparência , a tese faz parte de uma investida
anticientífica que, com firmeza,vai repudiar. Pode-se, é
claro, sustentar que a fé pessoal é compatível
com o espírito científico; que religião e
ciência não se opõem. Talvez não se
oponham, mas certamente não se misturam. E é isto o que
o criacionismo tenta fazer, sem base comprovada, e com um aparato de
falácias que um estudante médio, no Brasil ou em
qualquer parte do mundo, não tem condições de
identificar”.bla,bla,blaaaa…

Toda a discussão é
preocupante. E nossa única alternativa é o debate.
Informação e discussão sobre todos os graves
aspectos envolvidos, sobre as formas como o resto do mundo está
lidando com estas teorias, enfim, precisamos conhecer melhor essas
idéias até para podermos argumentar, contra ou a
favor…
E neste domingo cinzento, esperando uma chuva que não
veio, alinhavei vários links para alimentar nossas conversas.
Se você quiser incluir outros, fique à vontade.

Porque,
como disse o papa João Paulo II, em um discurso:
“As
ciências da observação descrevem e avaliam as
múltiplas manifestações da vida com precisão
cada vez maior e com maior exatidão em relação à
linha do tempo. Mas, o momento de transição para o
espiritual não pode ser objeto deste tipo de observação.”

São
a filosofia e a teologia que devem ser ouvidas quando o assunto é
o significado último de todas as coisas, segundo os desígnios
de Deus… no debate entre ciência X religião, voto em
ambas, cada uma na sua sala de aula…bem entendido né…

Beijos beijos



DESMOLDURANDO…

Quando a gente conhece uma pessoa,moldamos uma imagem
dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a
ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela
"marketeia" de si mesma. É pelo resultado disso tudo
que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que
projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não
será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma
pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final,
sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa
"incorporou" um personagem e você caiu na arapuca,
aí, somado à dor da separação, virá
um processo mais lento e sofrido: a de "desmolduração"
daquela pessoa que você achou que era real.

Desmolduramos
luiza, desmolduramos leonardo, desmolduramos paulo. Milhares de
pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas
por dentro estão desmoldurando ilusões, tudo porque se
apaixonaram por um ingodo, não por alguém autêntico.
Ok, é natural que, numa aproximação, a gente
"makei" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém
vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou
ditador, presunçoso e sociopata. Nada disso, é a hora
de fazer glamour. Mas isso é no começo. Uma vez o
romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a
gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas
imperfeições. Isso se formos verdadeiros. Os falsos do
amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até
que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o
outro fica ali, pasmado.

Quem se apaixonou por um falsário,
tem que desmolduralo para se desencantar. É um desespero.
Exige que você reconheça que foi seduzido por um teatro,
que você é capaz de se deixar enganar, que a sua ansia
de amar é mais forte do que sua destreza. Significa encarar
que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e
verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma
representação – e olha, talvez até não
tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si
mesma, por isso ela se inventa ou se representa…

A gente
resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é,
e nem nunca foi, real e verdadeiro. Que sorte quando a gente sabe com
quem está lidando: mesmo que venha a desmolduralo um dia, tudo
o que foi emoldurado se manterá de pé.


Bjus de LUZ

Deus
fez o tempo em abundância, dizem os hindus, mas acho que ando
gastando mais do que posso e, com certeza, devo estar em vermelho na
contabilidade divina. Francamente, cansei de caminhar por aí
espalhando desculpas: “desculpe, estou numa correria”; “xiii,
esqueci”; “estou atrasada, você pode esperar?”; “sinto
muito, hoje vai ser impossível, podemos deixar para amanhã,
para depois de amanhã… para nunca”? Socorro! Minha agenda
explodiu e, hoje, tudo que eu gostaria era de um bom tempo vazio de
coisas, tempo de não fazer nada…

E,
pelo visto, não sou só eu. Leio sobre um estudo da
Ohio University que revelou: 40% das mulheres se sente pressionada
pelo tempo, mesmo durante seus momentos de lazer!!! Quarenta por
cento das mulheres se sente assim como eu, presa na armadilha

Caríssimas, está na hora de levar a alma,a
vida para um spa e deixá-la ficar um pouco balançando
na rede, despreocupada dos afazeres… Aliás, a palavra
“afazeres” já contém dentro de si a idéia de
“coisas a fazer”, de “ocupação” e, pulando de
palavra em palavra, descubro que “ocupação” tem a
ver com “posse”, com “conquista”, embrião de todas as
listas do que
fazer!

Se
acreditarmos no poder expressivo das palavras, para desacelerar é
fundamental desejar menos ou desejar… melhor!

É
o que propõe um movimento que está “desafiando o
culto da velocidade”: Devagar, chama-se. E tem vários focos
espalhados pelo mundo. Na Áustria, há o movimento
chamado de a Sociedade Para a Desaceleração do Tempo.

No livro “Devagar” do ex-jornalista , Carl Honoré,
leio que “Seus mais de mil membros são verdadeiros soldados
na guerra contra o culto de estar sempre fazendo tudo mais depressa”
e que os Desaceleradores têm até uma palavra especial,
alemã, para resumir suas convicções: eigenzeit.
“Eigen” quer dizer “próprio” e “zeit” significa
“tempo”, portanto eigenzeit (você pronuncia mais ou menos
assim: “aiguenzait”) traduziria em uma expressão a idéia
de que
“todo
ser vivo, todo acontecimento, todo processo e todo objeto tem seu
próprio ritmo e o seu próprio andamento inerentes, o
seu próprio tempo
giusto
(o “tempo certo” de todas as criaturas, na língua dos
italianos)”.

Outro
foco do movimento está no Japão e tem o nome sugestivo
de "Clube da Preguiça". Foi fundado em 2001 por um
grupo de amigos e hoje, além de um restaurante onde a pressa
está proibida, espalha o mote “Devagar está com tudo”
em camisetas e canecas.

Slow Food é uma outra vertente
do “Devagar” e a filosofia do “comer devagar” é uma
das expressões mais populares do movimento.
No Brasil,
alguns restaurantes já aderiram ao conceito de servir pratos
tradicionais, feitos sem pressa, com ingredientes de preferência
orgânicos e naturais “da região”, num ambiente que
estimula a conversa afável e até certa preguiça.tudo
que eu adoro em particular…
O movimento começou na
Itália, como reação aos
fast
foods
que
ameaçavam as formas tradicionais que os italianos têm de
apreciar a boa mesa, com bons vinhos e boa companhia.
Carlo
Petrini, um conhecidíssimo cronista de culinária da
Itália foi quem lançou em 1986 a bandeira do Slow Food
que defende “produtos frescos e sazonais da própria região,
receitas transmitidas de geração em geração,
agricultura, produção artesanal, refeições
tranqüilas com a família e os amigos”.

Você
acha que acabou? Pois então, nada disso. Existem idéias
para desacelerar também cidades inteiras ou bairros ou ruas…
São Cidades do Bem Viver, onde as pessoas serão mais
importantes que os veículos e os carrinhos de bebê
dominarão as ruas, junto com os patins, as pessoas caminhando
e passeando de bicicleta. Oásis onde modernidade e um estilo
mais amigável de viver se encontram para criar um novo
conceito de urbanismo, que vamos legar para nossos filhos e netos, se
tudo der certo!e eu vou estar lá com certeza.

E existem
idéias para desacelerar as agendas das crianças, o
andamento dos ritmos musicais – sabia que existem estudos que
provam que você pode estar ouvindo Mozart num ritmo duas vezes
mais acelerado do que o genial compositor imaginou? – e até
a forma como fazemos exercícios!
Distorcer o tempo,
expandí-lo, recriá-lo, reinventá-lo, cada um do
seu jeito, nem muito rápido, nem devagar demais. Cada criatura
caminhando no seu tempo, no seu passo, buscando equilíbrio
naquele
“tempo
giusto”
de que
falam os italianos.
Afinal, ensina mais uma vez o autor de
“Devagar’: “Viver Devagar significa nunca se afobar, nunca
tentar ganhar tempo só para ganhar tempo. Significa manter-se
calmo e imperturbável, mesmo quando as circunstâncias
nos obrigam a apressar as coisas”.

Abrir um espaço
na agenda da " vida " para balançar na rede! Isto é
nossa mais importante urgência!

Bjus de LUZ


DE VOLTA PRA CASA !

Fico
me perguntando quantos de vocês assistiram ao filme
E
o Vento Levou…
Bem poucos, imagino… está
certo. O filme é de 1939, nem eu, que assisti em puro transe
umas dez vezes, era nascida. É, talvez valha a pena pegar este
clássico do cinema na locadora e aproveitar o frio para
descobrir como se faziam épicos na época pré-Spielberg.
Mas não faz mal. Vou contar para vocês da cena que ficou
impressa na minha memória: estão lá os dois
amantes, num tempo construído com palavras como honra,
virtude, nobreza. Dois amantes separados por deveres, de
conveniências, de hipocrisias. Ela – pasmem – em 1939, queria
jogar tudo para o alto e fugir com ele. Ele ousa recusar e lança
na tela o ideal de vida de um mundo que parecia destinado a acabar:
“Sim, existe alguma coisa que você ama mais do que a mim,
apesar de talvez não ter percebido ainda. Abaixa-se, pega um
punhado da terra da fazenda devastada pela guerra, coloca nas mãos
dela:" Tara". É da terra vermelha de Tara que você
extrai sua força”.

Ficaram pelo menos um pouquinho
curiosos? Então, por favor, vejam o filme e depois me contem
se ele envelheceu ou se ainda está tão quente e vivo
quanto aparece nas minhas lembranças de menina…eu adoro
minhas lembranças.

E por que será que fiz vocês
abrirem este velho baú comigo? Acho que é porque
aproveitei o final de semana friorento para garimpar o rio das minhas
memórias humanas comuns e tentar entender que imagens compõem
nossa idéia de casa, de lar.

Antes das casas, antes
até mesmo das cavernas, lar, para os nossos ancestrais era a
Terra. Até onde a vista alcançasse, ali era seu lar.
E
seu chão. Nós sempre tivemos uma Mãe e seu corpo
era nossa casa. Fértil e dadivosa, a Mãe-Terra dava a
vida e a tirava. Vivíamos à volta das suas verdes
saias, tentando entender seus desejos, molhando seu corpo moreno com
nossas lágrimas. Sua casa, nossa casa, ora era acolhedora, ora
era terrível, mas nela havia um tempo pra cada coisa, tempo de
trabalhar, tempo de descansar, tempo de amar, tempo de sofrer, tempo
de celebrar…
Filhos da Terra, criaturas
telúricas que éramos, nossos ritmos eram os seus
ritmos, nosso coração pulsava junto com o seu. Mas se
por desobediência ou capricho nós nos afastávamos,
ela nos punia com sua fúria feminina(e ainda nos pune), apenas
para nos acolher de novo, mimando-nos com seus dons e com seus
frutos.

É tão extraordinária esta nossa
devoção à Mãe-Terra que, num livro de
titulo "
Tratado da História das
Religiões", conta não uma nem duas, mas inúmeras
histórias de povos que se recusavam até mesmo a usar
técnicas agrícolas mais avançadas apenas para
“não ferir o corpo de nossa Mãe”… Na Índia,
por exemplo, os ‘baiga" praticam um tipo de agricultura
complicado, plantando só nas cinzas que restam de incêndios
naturais nas florestas porque julgam “um pecado rasgar o seio da
Mãe-Terra com o choro”.

Além de nosso lar, a
Terra era nosso berço. Pelo menos é o que comprovam
tradições muito antigas espalhadas aqui e ali pelo
mundo, que mandavam colocar os recém-nascidos no chão.
De alguma forma, a Terra lhes emprestaria sua alma ou, como preferem
alguns, eles receberiam os poderes mágicos do solo. Para mim,
sendo mãe, acredito que ali, aconchegados no corpo da Avó,
os bebês ouviam sua primeira canção de ninar.(me
faz falta meus avós)
Leio que além dos bebês,
os doentes também eram depositados na Terra para que ela os
curasse com sua própria substância.

No rio das
memórias humanas aprendo que a frase bíblica “Tu és
pó e ao pó retornarás”, longe de ser uma
maldição, é pura benção. Filhos da
Terra, ao morrer, para ela voltamos. Separados dela ao nascer, somos
de novo parte de seu corpo vivo e fértil ao morrer.

Fui
buscar neste baú e molhar os pés neste rio porque, logo
de manhã, enquanto tomava um café e ensaiava uma longa
paquera com o sabiá pousado na pitanga que eu mesma plantei há
exatos oito anos no jardim, tinha sido inundada pela idéia de
lar. Aquela era minha casa, minha força, meu refúgio, e
se eu tivesse um dia que vendê-la? E se fosse preciso mudar
dali? não….vou mas volto…assim penso e assim
será!!!

Passei a tarde tão fria de domingo lendo
histórias da Terra. Apenas para descobrir que onde quer que
nos encontrássemos novamente, eu, o sabiá e a pitanga,
estaríamos, sim, sempre voltando para casa.

Bjus de LUZ

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