Passamos uma fase de nossas vidas em que permitimos – muitas vezes fingimos na nossa sabedoria de criança- que outros decidam por nós. Quando passamos a tomar pleno controlo das nossas vidas, continuamos a tomar decisões, a escolher os caminhos por onde queremos seguir.
Porque a vida é uma estrada com cruzamentos, entroncamentos, atalhos cheios de pedras, que magoam nossos pés e, de carreiros com suaves flores nas bermas, que nos conduzem a um bosque verdejante.
Enquanto vivemos, percorremos a estrada da vida, escolhendo ora a via rápida, ora o passeio turístico. Uma viagem mais dolorosa para uns e mais aprazível para outros. Depende da estrada que cada um escolhe para percorrer, uma vez que as estradas são diferentes para todos, havendo apenas cruzamentos em que, por breves instantes nos cruzamos com estradas de outros.
Quando se chega perto dos quarenta anos, paramos para olhar o caminho que fizemos e o que ainda nos falta fazer. Em ambos está patente a dúvida. Quando olhamos para trás e vemos todas as estradas que percorremos e as que deixámos de percorrer por opção, resta a dúvida do que teria sido diferente se tivéssemos optado pelo carreiro pedregoso em vez do carreiro verdejante, o que teria sido diferente na nossa vida. Ao olharmos para o caminho a percorrer, continuamos a ver uma estrada com desvios, atalhos, cruzamentos e entroncamentos que não sabemos onde nos vai levar.
Geralmente é aqui que se impõe uma maior ponderação sobre as nossas decisões. Temos consciência que não deviríamos Ter trilhado alguns dos caminhos que trilhámos, pelo que, nos caminhos que nos falta percorrer, incertos, sem forma de saber o que nos reservam, impomos uma maior ponderação nas nossas decisões. Como fazê-las?
Geralmente impomos a nós mesmos as decisões mais racionais, lógicas á nossa mente. Deixamos que a mente e a lógica comande a nossa vida, escolha as estradas que percorremos. Muitas vezes, tarde de mais, compreendemos que, dessa forma racional, vivemos a vida sem emoções profundas, vindas do mais profundo do nosso ser.
Houve alguém que um dia me disse que a felicidade era algo efémero, porque chegava em virtude de algum acontecimento ou de alguém que não nós mesmos. No entanto a alegria é a essência de nós mesmos, algo que vem lá do fundo, que nos faz apreciar e agradecer o Dom da vida. Porque enquanto temos vida, uma vida plena, interior, podemos fazer a diferença ao nosso redor.
Podemos decidir qual a estrada a tomar, o caminho a seguir, mas ninguém decide que é feliz, que sente alegria, enquanto não se conhecer a si mesmo. Tomar a decisão de se conhecer a si mesmo é a maior mas, também a mais sábia decisão que todos nós podemos tomar. A decisão que implica um maior trabalho, e um maior entendimento do que nos move interiormente. São muitos os que percorrem a estrada da vida sem tomarem essa decisão.
Li há pouco um livro. Nas sua páginas encontrei as mesmas questões que coloco diariamente, as minhas dúvidas, as minhas incertezas. Algures nas suas folhas encontrei um parágrafo que resultou para as minhas incertezas, como uma pequena luz no fundo de um túnel:
"E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar".
Beijos beijos a vc Luisa…..